ESTILO MUNDO/ SUBMUNDO – MENINAS PARA A BOCA


Olá pessoal!

Vamos iniciar uma série de publicações, artigos, crônicas, etc., com fatos, realidades e acontecimentos relativos ao universo da missão da Associação Maria de Magdala, como um complemento de sua luta contra a exclusão social, discriminações, desrespeito, preconceitos e todas as formas de diminuir o outro.

Vamos inaugurar com uma crônica de Maria Cristina Castilho de Andrade, citando o universo de meninas que vivem em meios inescrupulosos que as impulsionam numa vida à margem da sociedade. Boa leitura e reflexões!

Meninas para a boca

Imagem ilustrativa

MENINAS PARA A BOCA

Tenho piedade das meninas, da periferia geográfica e existencial, com corpos de pele tenra, manipuladas por adultos inescrupulosos ou pela ignorância dos que não sabem que carícias impróprias emporcalham o emocional.

Condoo-me ao ver pequeninas dançando com trejeitos sensuais sob aplausos dos grandes, que as consideram “evoluídas” para a idade.

Apiedo-me das menores, com trajes diminutos, à mercê de homens e mulheres ébrios.

Lastimo ao saber que crianças assistem a filmes pornográficos e/ou a relacionamentos sexuais de adultos ou jovens que as rodeiam. Lastimo ao saber que vêem as novelas que escarnecem dos valores que alicerçam o ser humano.

Compadeço-me das adolescentes grávidas, que não sabem se tratam do bebê de suas entranhas ou da boneca que ficou em cima do travesseiro. Compadeço-me das garotas de pernas infantis à mostra, equilibrando em salto alto, movidas pela vulgaridade consumista, expostas ao despudor,  à espera de um pedófilo que lhes ofereça uma cédula em troca de um suspiro qualquer.

Lamento: pelo excesso de preservativos e o quase nada de orientação para refrear os instintos em nome de um relacionamento de verdade; pelo pudor que se tornou obsoleto; pela moda que dependura as carnes nos varais da malícia; pela energia selvagem que ruge e tritura a vida de tanta gente miúda e maior. Lamento pelos filhos gerados em noites mornas, sem um porquê. Crescem na desestrutura de seus pais e fazem de cada dia uma roleta russa. Lamento por destinarem a estrutura familiar ao sorvedouro do Triângulo das Bermudas. Lamento pelos adultos que fecham os olhos para essa realidade.

Meninas erotizadas nas beiradas do mundo, com poucas exceções, são destinadas à boca do lixo ou do luxo. Muito mais à boca do lixo. Primeiro a ilusão, depois o uso, depois o abuso e, no final, bagaços jogados nas sarjetas, com mãos em súplica e os medos em fervedura. São as meninas do poema: “Pequena Crônica Policial” de Mário Quintana: “… As fundas marcas da idade,/ Das canseiras, da bebida…/ Triste da mulher perdida…”

E quem realmente se importa, meu Deus, com as meninas das misturas confusas e desordenadas que se concluem na boca do lixo?  E quem realmente se importa, meu Deus, com as mulheres pobres vitimadas pela promiscuidade e pelo abuso sexual desde a infância?

Maria Cristina Castilho de Andrade

É professora e cronista

Anúncios
Esse post foi publicado em Crônicas e Artigos e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s